sexta-feira, 2 de março de 2012

"Psicologia tem um longo passado mas uma curta história"

A psicologia só se separou da filosofia a partir do século XIX, normalmente era apenas um "ramo" da filosofia. Para se afirmar como disciplina cientifica, tinha de ter um objeto de estudo:   "era preciso encontrar o atmo da psicologia".

Wundt deu os primeiros passos nesta tarefa e criou um laboratório de psicologia definindo as sensações como sendo o "atmo" da psicologia. No seu laboratório perguntava às pessoas o que sentiam quando eram confrontadas com determinado estímulo, que podia ser uma cor ou um som etc. No entanto este tipo de procedimento foi muito contestado, por um lado porque era muito subjetivo e por outro devido à enorme dificuldade que normalmente as pessoas têm em identificar e descrever o que sentem.

Ao mesmo tempo estava a ocorrer uma descoberta acidental (Experiência de Pavlov), onde era possível condicionar um comportamento de um cão, neste caso o salivar. O animal estava a associar alguns estímulos, como passos do tratador, e mais tarde até diferentes tipos de luz, ao chegar de uma refeição. O video que se segue retrata essa experiência.

Estabeleceu-se uma "comparação" entre o animal e as pessoas, e Watson defendia que podia moldar uma pessoa no que ele quisesse com base no ambiente (desprezava condicionantes genéticas). Watson foi um dos principais críticos de Wundt, e defendia que para a psicologia ser cientifica era preciso que o seu "atmo" fossem comportamentos observáveis, e assim nasceu o Behaviorismo.
Para ele todos os medos eram condicionados, por exemplo uma criança ao ouvir dos pais de forma constante, "cuidado com o cão que pode morder" ou "não te aproximes do cão" etc, mesmo sem nunca ter sido mordida por um cão, podia desenvolver fobia a cães, em resposta aos comentários negativos dos pais.
No Behaviorismo o objetivo era estudar os comportamentos das pessoas tendo em conta os estímulos do meio. No próximo video podem observar as experiências com o bebé que ficou conhecido como o pequeno Albert.

No entanto mais tarde percebeu-se que devido à complexidade do ser humano, estudar os seu comportamentos observáveis não é suficiente porque é também preciso estudar o "interior das pessoas" e tentar perceber o porquê de determinados comportamentos, sem cometermos "juízos de valor" de forma precipitada.

Resumindo esta foi de uma forma simples a evolução da psicologia:
-estudar a mente de uma forma subjetiva com base nas sensações
-estudar o comportamento das pessoas com base nas influências no meio
-passar para algo mais complexo onde se estuda comportamento e o "interior" das pessoas.

Conclusões gerais

Destacamos nesta publicação a evolução que a psicologia sofreu, mais precisamente no aumento do grau de complexidade atribuido ao estudo do comportamento humano. Somos o resultado evolucionário de 4 biliões de anos desde o aparecimento do primeiro ser vivo, compreende-se o grau de complexidade.
Por outro lado e mais relacionado com o nosso futuro profissional, destacamos as teorias em si. De certa forma já todos tínhamos algum conhecimento tácito sobre estas teorias, especialmente no que diz respeito ao behaviorismo, pelo menos na sua vertente mais moderna impulsionada por B. F. Skinner, onde é explicado que a probabilidade de um determinado comportamento ocorrer aumenta se lhe estiverem associados estímulos positivos, e diminui quando associado a estímulos negativos.
Como atletas ou alunos, já todos fomos alvo deste tipo de estímulos ao longo do nosso processo de aprendizagem, e agora temos o dever de aprofundar o nosso conhecimento sobre estas teorias (behaviorismo radical, construtivismo, entre outras), de forma a no futuro sermos capazes de tomar opções não com base no senso comum ou em algo que possa ter resultado no nosso passado, mas sim porque sabemos que existem diferentes métodos ao nosso dispor assentes em bases cientificas sólidas, que produzem determinados efeitos no ser humano, que podem ou não estar de acordo com os nosso objetivos.

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